Ave Maria

Lá em Arraial d’Ajuda tocava a ave maria às 18h. Não sei se toca todo dia ou se dei sorte de ser uma ocasião especial bem no dia em que eu estava na praça da igreja às seis. Mas sei que me emocionei com o tanto de lembranças que aqueles minutos me trouxeram. Eu aprendi a tocar a Ave Maria de Gnoud no piano pra tocar pra minha mãe. Porque ela adorava e passou a ser minha preferida. Como nada nunca é simples, tive que aprender a de Schubert (era Schubert?) também, porque minha avó dizia que essa sim era linda. Eu sempre detestei tocar piano para os outros, gostava de tocar pra mim só pelo prazer de tocar e preferia fazer quando estava sozinha em casa. Mas Ave Maria não. Ave Maria eu tocava pra elas. 

Hoje, por conta do post de uma amiga, me deu uma vontade incontrolável de tocar piano. Coisa que não faço há anos. (a não ser quando toco minha versão do Can Can com as crianças, cantando “eu sou a Raimunda, olhem minha bunda nesse cabaré”, o que me transformou em melhor mãe do universo na primeira vez que apresentei, mas esse post é sobre Ave Maria e não cabarés).  Enfim, pesquisei no Google uma partitura da Ave Maria, peguei uma bem simplificada, sentei, tentei tocar e cheguei a duas conclusões:

1. preciso urgentemente chamar o afinador 

2. preciso urgentemente reaprender a tocar piano. Já sei o que vou estudar em 2017

(levantei do piano e minha irmã tinha postado uma foto da minha mãe. eu acho que tudo está interligado. o que, não sei. mas está.)

* foto: igreja de nossa senhora da ajuda – BA

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