#uerjresiste

Outro dia a Verô postou uma imagem com uma citação: “de que forma é possível mensurar os lugares onde o destino se introduz numa vida? ” e perguntou algo como “quando aconteceu algo aparentemente banal, mas que mudou sua vida? ”

Minha resposta: não vi meu nome na lista de aprovados no vestibular.

É, essa sou eu. Me amem mesmo assim, por favor. Ou não. Mas o que eu não sabia, nesse dia, era que essa foi a forma que a UERJ encontrou de se introduzir na minha vida. Fiz vestibular para Comunicação Social, Psicologia e Ciências Sociais. Vou resumir um pouco porque olha, ninguém merece a história completa. Ciências Sociais eu fiz só pra Unicamp e fiz vestibular pra lá totalmente influenciada por Feliz Ano Velho, passei, me matriculei, mas não banquei a mudança, nem tinha quem bancasse pra mim. Psicologia eu fiz na PUC, passei e cursei um semestre até, vejam só. E comunicação pra UFRJ, UFF e Uerj. Não passei na Uerj e passei na UFRJ mas, vai entender, não vi que tinha passado, só descobri tarde demais (minha mãe quase teve um treco, eu chorei dois dias inteiros, pensem num drama). Aí passei na UFF, o mundo voltou ao normal, me matriculei, mas por conta de greves no ano anterior, as aulas lá só iriam começar em maio, algo assim. Então eu tava de boas esperando quando fui chamada na reclassificação da Uerj. Fui lá pra ver qual era, enquanto aguardava as aulas da UFF começarem, a faculdade era pertinho de casa, eu não tava fazendo nada você também, não custava nada, nem passagem de ônibus porque era tão perto que eu ia a pé.

uerj

Daí danou-se. Alguma coisa aconteceu no meu coração quando entrei naquele prédio cinza, naqueles prédios cinzas, tão feios por fora mas tão vivos por dentro. E só saí 5 anos depois, formada. Quer dizer, sair, sair mesmo, não saí até hoje. Além das aulas no período noturno, estagiei em vários setores, conheci cada canto daqueles prédios e rampas, vivi tanta coisa e tão intensamente ali (ou a partir dali) que não cabe nesse post. Departamento cultural, HUPE, Jaleco e outros bares da redondeza, tantos shows na Concha Acústica (sdds, Cássia Eller), amigos, amores, viagens. Acima de tudo, a Uerj me mostrou um mundo que eu não conhecia. Que eu até sabia que existia, de ouvir falar, mas não conhecia. Pessoas. Saberes. Lugares. Minha vidinha classe média tijucana ruiu para sempre, ainda bem. Pela primeira vez na vida me senti pertencendo a um lugar, a um grupo. Não me senti inadequada. Fiz amigos de todos os lugares, de todas as idades. A estrutura do prédio que facilita o convívio e interação entre diversos cursos, tão maravilhoso aquilo. Não é exagero dizer que a Uerj mudou minha vida. Meu olhar pro mundo. Tudo.

Essa mesma Uerj, não surpreendendo ninguém, foi a primeira universidade do país a adotar as cotas. Essa mesma Uerj é a que hoje está sem salários, sem verbas, sem estrutura. É a universidade que o governo do Rio tem se esforçado tanto pra destruir. Qualquer pessoa, qualquer cidadão, tem o dever de se revoltar, de denunciar,  de lutar contra isso.

Mas eu, além da revolta, tenho também essa dor no meu peito. 😦

 

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4 comentários sobre “#uerjresiste

  1. Não fui da Uerj mas tenho dois irmãos que foram. É de cortar o coração o que fizeram com a Universidade. Tenho o maior orgulho do lance das cotas. É a Universidade do meu estado, e quase não tá existindo mais. Muito triste.

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  2. tenho a esperança de que a uerj vai passar por isso tudo e sair melhor do que antes.
    porque não é possivel que se possa destruir assim os sonhos e memorias de tantas pessoas.
    ja li muitos muitos textos como esse seu, e acredito que tem uma força enorme…
    fica vibrando no ar…
    você vai ver…

    Curtido por 2 pessoas

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