Olha pro céu, meu amor, vê como ele está lindo

Estudei numa escola que girava em torno dos esportes. As olimpíadas anuais eram o ponto alto do calendário. A escola toda se mobilizava, as turmas montavam os times, treinavam, buscavam patrocínio (!) para os uniformes, depois passavam uma semana competindo em várias modalidades e inclusive na torcida. As olimpíadas eram tão importantes que quando as turmas eram formadas no início do ano começava uma romaria à coordenação para tentar trocar fulano pra turma tal, sicrano pra outra, de forma a montar os times. No primeiro dia de aulas após a cerimônia de premiação, a turma vencedora fazia uma “volta olímpica” na escola exibindo o troféu e, num certo ano, a reação das outras turmas gerou um vandalismo que não sei como começou, mas lembro que vi uma tábua de vaso sanitário voando da varanda do 2º andar. A fina flor da elite tijucana.

Não, não vou negar que eu passava os dias na escola assistindo e torcendo. Que era mesmo só o que restava pra quem não tinha intimidade nenhuma com a bola fazer. Como as aulas de educação física eram todas nesse espírito competitivo, eu odiava todas, assim como odiava os professores (perto do que escutei deles, até que odiei pouco). No 1o ano fiquei em recuperação em educação física por faltas. Fiquei em prova final de religião também. (pode rir)

Mas isso tudo só pra dizer que ó: estou aqui. Sobrevivi. Marca demais passar toda a adolescência com essa sensação de não pertencimento que é algo que sinto que se apegou à minha personalidade para sempre, mas a gente sobrevive. Só que sobreviver é muito pouco, eu acho.

***

Corta pros dias de atualmente. Dois filhos. Duas experiências bem frustrantes em duas escolas diferentes. Ótimas escolas. A melhor (cof cof) educação. Mas que não atendiam às particularidades e necessidades de cada um. E nem aos valores da nossa família. Mas escola é assim mesmo, tudo igual, não tem jeito, no final todo mundo sobrevive. Me recusei a aceitar isso. Tivemos que ir longe, adaptar a vida, horários, rotinas. Que loucura, muitos disseram. Mas lá no fundo eu pensava que loucura seria repetir o erro por comodismo e preguiça. Tenho a possibilidade, tenho o privilégio de escolher, então porque não?

E foi por isso tudo também que eu chorei. Chorei sábado na festa junina, chorei ontem lembrando e escrevendo sobre ela. A festa que é o ponto alto do calendário da escola. Que não estimula a competitividade, mas a colaboração. Que não tem crianças com uniformes patrocinados por empresas, mas alunos que confeccionam as próprias fantasias, adereços, enfeites. Que tem lugar pra todo mundo. E ver a felicidade dos meus filhos e o envolvimento em todas as etapas, não tem preço. Mais do que uma festa, uma aula de cultura. Você não sabe o quanto nós caminhamos pra chegar até aqui. Mas eu sei. E se você soubesse, também choraria.

***

image1

Mas o que essa foto de bolo está fazendo aqui? você deve estar se perguntando. É que na verdade eu comecei o post pra falar desse bolo tão fácil e tão gostoso que fiz pra levar pra festa. Acabei divagando, me perdendo, então combinamos assim: a receita fica pra amanhã. 😉

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10 comentários sobre “Olha pro céu, meu amor, vê como ele está lindo

  1. Pingback: agora sim: bolo de milho com coco | bocozices

  2. Tb tive a msm experiência q tu com a escola e as aulas de educação física, mas adorava ser da torcida. Eu sabia q era coadjuvante e não me importava, não.
    Só fui me sentir inadequada na escola mais tarde (e foi por isso q eu fui pra pedagogia).
    Que bom que teus filhos encontraram um lugar pra ser feliz ❤️

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    • O problema nem era ser coadjuvante. A torcida contava, tinha até troféu pra torcida também. ahhaha E eu me dava bem com todo mundo, não sofria bullying, nada assim. Talvez até mais do que eu não me encaixar no que era o mais valorizado na escola, a questão principal é que tudo que eu gostava não era estimulado nem valorizado pela escola e isso foi muito, muito empobrecedor.

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      • aaaah, te entendi. sim, acontece muito, né? eu tbém me sentia desprestigiada nesse sentido. e sentia que os professores desprezavam os alunos. daí resolvi fazer pedagogia ~pra mudar tudo isso que tá aí~. e qdo fui pra sala de aula odiei dar aulas. ahahhahaha. mas amo trabalhar com educacao e to fazendo concursos pra voltar a atuar na área.

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  3. Nossa, eu tô aqui recuperando do tapa na cara, rs. É que eu acho que o Henrique merecia uma escola bem mais legal, mas fico acomodada, porque é perto, porque minha irmã é professora lá, porque tenho receio de bancar uma proposta mais alternativa. Enfim, vou amadurecer uma mudança pro Ensino Médio. Quem sabe reverto isso?

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    • Fefê, mas ele gosta de lá? A escola te desagrada? Porque se estiver tudo certo e indo bem, não precisa mudar, né? Mas se você tem essa possibilidade e acha que vale a pena uma escola melhor, dou todo apoio pra mudança! Ou pra, pelo menos, avaliar a questão. Boa sorte! :*

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