está na hora de apagar a velinha

Tô há quase dez anos nessa função de organizar festas infantis caseiras. Nesse tempo, já fiz de um tudo. De casinha dos 3 porquinhos à fantasia de Dorothy, de yellow submarine a pé de feijão gigante do João. Roupa improvisada de cavaleiro medieval. Flocos de neve de papel. Bolos que deram certo, bolos que deram errado, dezenas de saquinhos de sacolé, perdi a conta das panelas de cachorro-quente. Festa grande pra muitas crianças e os pais, pizza só pra 4 meninas.

 

As crianças se envolvem cada vez mais, fazem os enfeites, os convites, em breve vou me aposentar. O que é bom porque quando comecei com essa brincadeira eu tinha mais tempo, mais paciência e muito mais energia. Hoje em dia sou muito mais ideias que execução de fato.

Mas como ando pensando o que fazer desse blog, já que perdia a mão pra diarices, pensei: porque não fazer uns tutoriais? Quem sabe alguém poderia se aproveitar da minha experiência, pegar alguma ideia. Daí ia começar mostrando o que estamos preparando pra festa neon que vai ser daqui a 3 dias. Então me dei conta de que não tenho nada pronto. E faltam 3 dias. E a trabalheira que dá tirar foto de passo a passo? Tenho pique não, gente.

(e além disso, como falar de festa quando você saiu da terapia com vontade de chorar em posição fetal por uma semana?)

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pra que essa boca tão grande?

Só sei fazer blog diarinho e minha vida ultimamente é tipo o brasil: nada acontece feijoada.

Mas receitinha sempre tem. E dessa vez não é bolo, é de biscoito. E salgado, pra variar um pouco. Eu adoro fazer biscoito mas tenho uma certa preguiça porque não cabe a massa toda no forno de uma vez, a gente tem que ficar por conta por um bom tempo, tirando e botando tabuleiro no forno. E crianças ADORAM fazer biscoitos, é como brincar de massinha, né? Mas só a primeira parte da receita. Quando sugeri pro meu filho ele já veio todo empolgado. Ralou o queijo, misturou os ingredientes, amassou a massa, cortou em formato de flor, sino, menino e até árvore de natal (tenho poucos cortadores, dsclp), fez bolinhas e encheu UM tabuleiro. E pronto. Se mandou e eu fiquei lá o resto da tarde enrolando e assando biscoito sozinha. Como SEMPRE acontece quando invento essas modas.

A receita é de um livro de culinária para crianças que minha filha pegou na biblioteca uma vez. Tirei foto pra guardar mas não anotei o nome do livro, então não faço ideia. Mas a foto (ruim) tá aí.

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Fiz algumas modificações naquela vibe tudo quase gostoso. Manteiga no lugar de margarina. Duas colheres a mais de queijo. E, lógico, enrolei bolinhas menores. Afinal, quem faz biscoito do tamanho de uma bola de pingue-pongue, meu deus?!?

Fica crocante, serve pra lanchinho, aperitivo, o único defeito é que não dura na-da.

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Se alguém fizer no tamanho que a receita original sugere, me conta? Tô curiosa.

netflix, eu te amo

Às pessoas que se surpreendem quando descobrem que eu adoro romances históricos porque acham que historiadores só ficam procurando defeito e dizendo “não foi bem assim” eu sempre respondo: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Às pessoas que riam quando eu dizia que assistia Gossip Girl eu respondia: mindeixa. 😛

Daí o netflix me indica essa série Reign. Eu nunca tinha ouvido falar, não fazia ideia, mas a imagem me agradou, vi que era algo que envolvia Mary Stuart chegando à França para casar com o príncipe herdeiro, de quem era noiva desde criança, firmando assim uma aliança entra a Escócia e a França e pronto, já tava dando o play.

Mas gente. GENTE. Eu não estava preparada pra essa série. No final dos primeiros episódios eu já pensei, tem tudo pra ser ruim demais mas é bom. Sabe como?

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Mirei no romance histórico e acertei em gossip girl. Porém no século XVI. Com castelos, pompa e circunstância. Alianças, traições, romance, drama, tem tudo lá. Tem guerra também, tem um quê de mistério (péssimo, mas abafa), tem as previsões de Nostradamus, tem passagens secretas, tem mulheres inconformadas com a situação e posição das mulheres, tem assassinato, tem veneno, tem sexo, tem gente linda. E tem trilha sonora moderna (sim).

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E tem também o figurino. Cara, o figurino. É a melhor coisa, é incrível, é lindo, é sensacional, na mesma cena tem roupas e estilos de várias épocas, nada casa com nada, nada faz sentido, não tem aquela coisa de ficar procurando detalhe de “ah, mas nessa época não se usava roupa assim assado”, porque – assim como o roteiro – tudo é de tal forma inverossímil que depois de um tempo a gente fica anestesiado e nem percebe mais. Coisa de gênio, vai.

O que não tem? Fidelidade histórica, coerência, verossimilhança. Mas sério, quem se importa?

Só a arte salva a arte

Emprestei um livro pra minha irmã. Voltou assim. Bem melhor do que foi.

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“Tive que fazer uma intervenção artística naquela capa horrível!”, ela justificou. Nem precisava. Eu adorei. O resultado e a ideia. Estou pensando em salvar outros livros da mesma forma. Na minha estante mesmo tem muitos que merecem. Mas sou ousada e já sonho em juntar um grupo para invadir livrarias e fazer intervenções. Podemos começar com aquelas capas horrorosas da martin claret, hein? Quem topa?

até as segundas podem ser felizes

De manhã, aquela correria, sempre. Mãe, não acho o casaco. Mãe, não acho o chinelo. Mãe, não acho a cabeça. Não, pera. Já escovou os dentes? Vambora, estamos atrasados. Correndo pela rua. Ufa, chegamos bem a tempo. Ele entra na piscina quentinha e eu desabo numa cadeira.

(Mas o bom é que você só trabalha à tarde, pode dormir até tarde todo dia, mó moleza, eles disseram.)

A volta é calma, friozinho de carioca, corremos pra chegar na parte da calçada que tem sol e esquentar os dedos dos pés. Porque o modelito é de carioca também: moletom e chinelo. Vamos conversando, inventando personagens, hoje estamos numa fazenda, eu sou a vaca, ele o coelho. Caminhando sem suor, sem passar mal, sem querer morrer. Outono, seu lindo. Fica, vai ter bolo. No display de propaganda na calçada, sempre tem anúncio de um filme. Mas hoje era do mc donald’s. “Olha, vai ter um filme de hambúrguer??” Rio por dentro quando me dou conta que aquele M amarelo não significa nada, podia ser o nome de um filme.

Pelo caminho vamos descobrindo mistérios. Coisas novas que não estavam ali da última vez, ou que estavam e não estão mais. Como sumiu? Como surgiu? Um galho no chão. Um risco pintado na árvore. Um copo abandonado no meio fio. A grama que foi cortada. Uma pegada no cocô do cachorro. Quem foi? Por que? Muitos mistérios, todo dia. E histórias e teorias inventadas que não acabam. Minha imaginação é pouca, a dele compensa. Agora somos detetives. A mangueira está cheia de frutos verdes que em breve vão amadurecer e se perder ao cair na avenida movimentada. O céu é azul que dói. “Mãe, você sabe como a gente descobre quantos anos a árvore tem? É só contar os círculos. Vamos?”

Vamos, claro.

Mais coisas que ninguém perguntou mas eu quero contar

7. Só tenho uma sandália de salto alto. Uso de vez em nunca. Meu dia a dia é rasteirinha, all star e sapatilha. Pra trabalhar, pra sair, pra tudo.

8. Há alguns meses parei de comprar e usar desodorantes tradicionais e não me arrependo. Pelo contrário. Passei um bom tempo usando o bom e velho leite de magnésia. Foi tão simples, daquelas coisas que a gente pensa “mas porque não fiz isso há anos?”. Menos química no corpo, menos embalagens no lixo, muito menos dinheiro na farmácia e com o mesmíssimo resultado. Hoje entro em farmácia e vejo aquela infinidade de desodorantes e até me assusto, pensando pra que existe tanta variedade mesmo? Há uns dois meses, empolgada, comprei o desodorante crystal. Estou adorando. Dizem que dura 2 anos, e levando em consideração que mesmo com o uso diário (e eficiente) ele continua como novo, acredito.

9. Não gosto de dormir cedo. Odeio acordar cedo. Passeata pelo direito à sesta, quem vem comigo?

10. Queria conseguir transformar meus hobbies em meio de ganhar a vida. Leia-se, costurando bonecas de feltro e fazendo bolo e biscoito. Um dia.

11. Sinto muita falta de estudar. Me arrependo e me ressinto de não ter insistido em seguir uma carreira acadêmica. Mas hoje não tenho mais vontade (e tenho uma preguiça enorme) de recomeçar.

12. Eu tive depressão pós-parto. Na época não saquei isso. Só muito depois entendi o que aconteceu. Ainda preciso escrever sobre isso longamente e com calma.

13. Planejo e organizo tudo na minha cabeça com antecedência. Posso passar meses nisso. A execução sempre deixo pra última hora (e me desespero, e acho que não vai dar, e enlouqueço e da vez seguinte faço tudo igual). E nunca deixo pra amanhã o que posso deixar pra depois de amanhã.

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Hoje não tem bolo (mas tem jesus)

Ontem não tinha nada pra comer em casa. Acontece nas melhores famílias. Como minha filha não tem uma calça que caiba pra ir à escola (acontece também) e está fazendo friozinho (nem sempre acontece), fomos ao shopping pra jantar e comprar roupas. Jantamos. Conversamos. Sentamos em outro lugar pra comer sobremesa. Comemos brownie. O garçom gentilmente ofereceu mais calda de chocolate pra evitar um fratricídio. Olhamos malas que não vamos comprar pra viagens que não vamos fazer. Ah, entramos em uma loja e compramos uma legging. Teremos que voltar.

Enfim, chegamos tarde, estava cansada, não teve bolo. Mas tem post. Resolvi trazer pra cá a brincadeirinha daquela rede social lá. É pra eu falar 12 coisas sobre mim, aí vão as 6 primeiras.

1. Não gosto de café. Adoro cheirinho de café, mas não tomo café. Nunca curti. E às vezes invejo quem toma café.

2. Quando adolescente sonhava em aprender francês. Meus pais não permitiam porque diziam que eu precisava estudar inglês primeiro. Me recusei e resultado: não aprendi nenhum dos dois. Só fui estudar inglês já adulta, por obrigação e necessidade. E francês também, por prazer e naquela de “agora posso pagar meu curso, rá!”. Só pude pagar por 2 anos, é verdade, mas posso dizer que foi uma realização na minha vida. (cada um com seus sonhos e metas, né?)

3. No dia em que eu pisar em Paris, acho que vou chorar. Talvez até tome café num café. Espero que esse dia exista. Espero por ele desde os 15 anos.

4. Estudei piano clássico por 7 anos. Um dia, numa aula de teoria e canto coral, esperando a professora chegar, comecei a olhar para os outros alunos e pensar “o que estou fazendo aqui?” Nunca mais voltei. Não posso dizer que é um padrão na minha vida, mas digamos que até hoje tenho dificuldade em finalizar qualquer coisa.

5.Ganhei meu piano de presente de primeira comunhão. Não se ganha presente de primeira comunhão, você vai dizer. Muito menos um piano. Ganha sim, eu não ganhei? Minha primeira comunhão foi um acontecimento, aparentemente. A família e amigos convidados quase não cabem na foto do lado de fora da igreja. (eu queria convidar os menudos também, até escrevi a cartinha, mas não rolou). Aprendi muito cedo que tudo é motivo pra festa, pra comemoração e pra fazer um bolinho. Obrigada, mãe.

6. Ganhei também nessa época, um pouco antes, um livro de um menino que era tão bonzinho, tão comportado, tão puro, tão santo, que na hora da comunhão no lugar do padre ele viu Jesus e recebia a hóstia das mãos de Jesus. Eu fiquei em pânico. MORRIA de medo de ver Jesus. Talvez isso tenha definido minha vida dali pra frente. Vai saber.

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