No coração das famílias brasileiras, eles disseram

Toda vez que vou na padaria (aka todo dia), tá lá na geladeira kibon ao lado do caixa aquele pote de sorvete crocante edição limitada. Com uma propaganda apelando pro nosso saudosismo e sentimentalismo, pelamor, quem ainda cai nessa? Eu. To-do dia eu olho, desejo, cobiço, mas resisto. Aí ontem só tinha mais um na geladeira. O “edição limitada” ficou gritando na minha cabeça. E se for o último mesmo? E se amanhã não tiver mais? E se nunca mais, veja bem NUNCA MAIS eu tiver oportunidade de comer novamente um sorvete crocante kibon?

(Angélica, não é o último. Depois chega mais. Vende em outros lugares. Em centenas de outros lugares. <– isso são vocês, pessoas racionais, falando. Não eu.)

Comprei.

sorvfete.00

Porque as lembranças falam mais alto. Sábado, família inteira no carro, rumo ao Boulevard pras compras do mês. O Boulevard, não sei se todos sabem, era o supermercado mais lindo do mundo. Não tinha mascotes como os mercados mais próximos de casa, nem a modernidade dos supermercados da Barra da Tijuca. Mas, como antiga fábrica que era, tinha (tem) paredes de pedra. Era alto, imenso, quase um castelo em forma de supermercado. Antes de tudo a gente tinha que passar nos fundos para trocar os cascos das bebidas. Eu adorava isso. Até hoje não sei porque abandonamos os cascos e desconfio mesmo que nosso ponto de não retorno como civilização viável foi a invenção da garrafa pet. Mas enfim. A gente trocava os cascos e aí sim dava a volta e entrava no mercado. Depois de horas empurrando carrinho, enfrentando fila e empacotando tudo, chegava o grande momento. Que justificava tudo e fazia do Boulevard o melhor mercado do mundo (mais que as paredes de pedra): o lanche no quiosque do estacionamento. Com direito a sorvete de casquinha.

Não era pelos cascos, admito. Era pelo sorvete de casquinha no final. Kibon. Crocante, claro.

Percebem a sacanagem de relançarem esse sorvete? Porque a gente resgata toda essa memória afetiva. E se emociona. E quase chora. E o coração fica quentinho.

Aí abre o pote. Sijoga. E descobre essa verdade oculta por tantos anos. Sorvete crocante é ruim. The end.

(a lição do dia: se relançarem leitinho de caixinha CCPL sabor caramelo, pode escrever: não comprarei)

(mentira. caramelo, gente. não tem como ser ruim.)

 

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14 comentários sobre “No coração das famílias brasileiras, eles disseram

  1. boulevard. casco de coca. sorvete de casquinha (o meu sabor devia ser o morango hahahahaha) .CCPL – o meu era de morango, com certeza – sempre escolhendo o mais artificial possível.

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  2. Eu amava o sorvete crocante quando era criança mas agora adulta meio que já me conformei que sorvete, mesmo os caros, no geral é um negócio meio ruim (dsclp). Pra mim tem tudo gosto de leite, açúcar e gordura. Menos os da sorveteria Cairu em Belém, estes são os melhores do mundo.

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      • é que em Fortaleza tinha a 50 sabores, e uma delas era perto da rodoviária. e meu pai viajava a trabalho mais ou menos uma vez por mês. sexta a noite, então íamos deixá-lo e, na volta, tomávamos sorvete. pra adoçar a solidão de mamys, talvez.

        fora isso tinha (e tem) a maravilhosa sorveteria do Juarez. Olha. maravilhosa mesmo. e era na esquina da casa do meu tio “rico” (um momento pra rir da ideia de riqueza).

        a gente cresceu, meu pai parou de viajar, passamos a comprar kibon como sobremesa ou pra misturar com salada de fruta, mas, né, não é a mesma coisa.

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  3. Eu não tenho essa memória de infância. Mas adoro sorvete crocante. Seja o macadâmia do Haagen-Daz. Seja o crocante da Kibon.
    Tenho outra memória de sorvete da infância: o de baunilha da Frisabor.
    Recife. Férias. Primos. E o sorvete de baunilha da Frisabor. Era meu paraíso particular.

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    • O crocante kibon era tão bom, eu achava. Será que só funciona na casquinha? E na infância? 😉 O crocante em si continua uma delícia mas o sorvete de creme foi uma decepção…
      Frisabor não conheço. Mas recife + sorvete pra mim = sorvete de graviola. E pitanga.

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