Aquilo que ninguém vê

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Ontem foi dia de cinema com a turma da escola. Eu sei que todo mundo acha furada programa com crianças e pais da escola mas só tenho a lamentar por vocês. Porque a turma da minha filha é ótima. E um chama o outro que chama um que chama mais um e no final aha uhu o cinema é nosso. Assistimos Alice. Mas aí é outro post.

Esse aqui é sobre o depois. Depois fomos comer uma pizza, tomar um chopp, conversar e tal. E sei lá porque, uma hora o papo era sobre casa, dinâmicas familiares, etc. Ah, lembrei porque. Ano que vem as crianças mudam de turno na escola, o que acaba mudando a rotina da família toda. No meu caso, um em cada turno, sempre vem a questão: e aí, como você vai fazer? E minha resposta é sempre: ano que vem penso nisso. Gente. Ano que vem tá muito longe. Se eu estiver viva e sã ano que vem já acho um ganho.

Empurrar com a barriga até não mais poder, uma arte que eu domino com maestria.

E foi ela que me trouxe até aqui. A essa encruzilhada, ou melhor, a esse beco sem saída. Sem ter pra onde correr. A única alternativa é pular o muro no final da rua. Conseguir escalar a parede, provavelmente com algumas feridas no processo. Chegar lá em cima e pular sem saber o que tem do outro lado. Ou sabendo. Mas ainda assim.

Mas o que eu queria dizer era que nesse papo eu comecei a falar um pouco da minha casa. Da rotina, da dinâmica, das tretas, do inferno que está virando. E a reação das pessoas foi: nossa, mas eu nem fazia ideia disso.

Pois é. As coisas que as pessoas não fazem ideia. Os detalhes que escondemos às vezes sem perceber. O outro lado que ninguém vê.

E ninguém faz ideia porque eu boto tudo na piadinha do COLIVING. Mas não é uma piada, né? É uma porra de uma situação limitadora e castradora que beira o absurdo e tá destruindo a vida de todo mundo.

O tanto de coisa que eu tenho PROTAGONISMO e LUGAR DE FALA pra escrever nesse blog, olha. Síndrome do pânico. Fobia social. Depressão pós-parto. Mutismo seletivo. Dependência emocional. Culpa, culpa, culpa.

Mas prefiro postar receitas de bolo porque dói menos.

 

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7 comentários sobre “Aquilo que ninguém vê

  1. Eu invejo muito seus bolos. E achei esse texto com cara de algo que eu teria escrito… 🙂 embora nunca tenha feito esse programa de cinema com pais da escola. Eu patrocinei foi o chope de pais da creche, muito bem-sucedido. A creche era do lado da Cobal, e tinha eventos com pais no sábado de manhã (não todo sábado, claro, senão eu não dava conta: mas uma vez por mês). Da primeira vez que um pai me perguntou, ao final de um evento desses, “e agora, o que a gente faz?” – a resposta era óbvia, né. Vai beber. Isso foi com a galera do Felipe. Fomos assim, bebendo a creche até o final, discutindo escola, encontrando no começo da escola…. e os meninos tão juntos aí, até hoje.
    Com a galera do João tinha menos unidade, mas a gente ia beber com alguns, e fiz uma das minhas melhores amigas aí. “Amiga de creche”. Cinema? Não lembro….

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    • Eu tenho amigas que fiz na 1a escola do Bento. Nos encontramos e saímos juntas até hoje, independente das crianças (que como foram da mesma turma pouco tempo e mt pequenas, não chegaram a criar laços tão fortes). A turma da Joana é muito boa, mas é sorte, né? A do Bento as pessoas são ótimas também mas ainda não tem essa “liga”, infelizmente. Eu até estranhei. (Joana quer comemorar o aniversário só com meninas esse ano. Eu reclamei. E ela “vc quer convidar os meninos só pra tomar cerveja com as suas amiguinhas”. )

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  2. Ah Dona Maria Angélica, sei que você não acerta bolo. ahãn… e o resto, bem tamosaê né, acompanhando esse COLIVING e torcendo muito pra que tudo se ajeite, e fique bem. E cê sabe, tb sou mestra em empurrar com a barriga. e não, isso não é legal mesmo, não é legal pra nós nem em post mais. Embora eu tenha a nítida sensação que não vou saber nunca viver de outro jeito. Beijos beijos e beijos e força aí.

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  3. eu tenho muitos primos. quando eu digo muitos, estou querendo dizer muitos mesmo. e minha avó ou um tio nos levavam ao cinema. sozinhos. quando a turma era pequena, umas doze crianças e um responsável. eu lembro e penso: heróicos.

    eu acho útil empurrar com a barriga. tem expressão em latim e tudo: carpe diem. o que já não é tão útil é enfiar a cabeça no chão. fiz muito, minha fase avestruz. não recomendo.

    eu não sei, objetivamente, como é a sua casa, mas já tem minha solidariedade a priori. Fala pra gente, fala com a gente, joga na gente. Tamos aqui pra isso – também.

    e eu não acerto bolo mesmo 😛

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    • Aí que tá. Eu tirei a cabeça do buraco, finalmente. E não tá bonita a paisagem. 😉

      Mas vou falar muito disso aqui ainda, acho. Porque tô numa fase a loka da evasão de privacidade. Haha esbarrou comigo na rua já tô chorando as pitangas e contando tudo. Em breve as pessoas vão começar a fugir.

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