7 anos

 

Aos 7 anos eu tinha uniforme novo. Da escola nova. Enorme, grandiosa, que tinha bala juquinha na cantina e onde eu passaria os próximos 10 anos da minha vida. Mas na época ainda não sabia disso, o que foi bom, porque pude ser feliz e aproveitar.
Aos 7 anos eu tinha uma letra miudinha, e minha professora pediu, de brincadeira, uma lupa de presente de aniversário.
Aos 7 anos eu tinha uma professora que eu adorava e com quem até hoje mantenho contato.
Aos 7 anos eu tinha tanta admiração pela professora que eu queria ser professora.
Aos 7 anos eu tinha o livro do Menino Maluquinho, que ganhei de presente de aniversário. (ainda tenho).
Aos 7 anos eu tinha festa de aniversário. Aos 7 anos eu tinha uma fantasia de coelho que usei no meu aniversário que foi de coelhinhos.
Aos 7 anos eu tinha uma amiga que me dava carona pra escola nova e a mãe dela tinha um bugre e a ida pra escola era uma aventura.
Aos 7 anos eu tinha fantasia de carnaval feita pela minha vó. Eu tinha avó. E avô.
Aos 7 anos eu tinha uma máquina de retrato. E a bate palminha.
Aos 7 anos eu tinha novos amigos no prédio novo pra onde tínhamos acabada de nos mudar.
Aos 7 anos eu achava que tinha uma casa nova. Muitos anos depois minha mãe fez um jantar especial pra comemorar o pagamento da última parcela do apartamento que agora era nosso. Como assim, ele não era nosso antes?
Aos 7 anos eu tinha mãe.

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(post inspirado pela Luciana)

No coração das famílias brasileiras, eles disseram

Toda vez que vou na padaria (aka todo dia), tá lá na geladeira kibon ao lado do caixa aquele pote de sorvete crocante edição limitada. Com uma propaganda apelando pro nosso saudosismo e sentimentalismo, pelamor, quem ainda cai nessa? Eu. To-do dia eu olho, desejo, cobiço, mas resisto. Aí ontem só tinha mais um na geladeira. O “edição limitada” ficou gritando na minha cabeça. E se for o último mesmo? E se amanhã não tiver mais? E se nunca mais, veja bem NUNCA MAIS eu tiver oportunidade de comer novamente um sorvete crocante kibon?

(Angélica, não é o último. Depois chega mais. Vende em outros lugares. Em centenas de outros lugares. <– isso são vocês, pessoas racionais, falando. Não eu.)

Comprei.

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Porque as lembranças falam mais alto. Sábado, família inteira no carro, rumo ao Boulevard pras compras do mês. O Boulevard, não sei se todos sabem, era o supermercado mais lindo do mundo. Não tinha mascotes como os mercados mais próximos de casa, nem a modernidade dos supermercados da Barra da Tijuca. Mas, como antiga fábrica que era, tinha (tem) paredes de pedra. Era alto, imenso, quase um castelo em forma de supermercado. Antes de tudo a gente tinha que passar nos fundos para trocar os cascos das bebidas. Eu adorava isso. Até hoje não sei porque abandonamos os cascos e desconfio mesmo que nosso ponto de não retorno como civilização viável foi a invenção da garrafa pet. Mas enfim. A gente trocava os cascos e aí sim dava a volta e entrava no mercado. Depois de horas empurrando carrinho, enfrentando fila e empacotando tudo, chegava o grande momento. Que justificava tudo e fazia do Boulevard o melhor mercado do mundo (mais que as paredes de pedra): o lanche no quiosque do estacionamento. Com direito a sorvete de casquinha.

Não era pelos cascos, admito. Era pelo sorvete de casquinha no final. Kibon. Crocante, claro.

Percebem a sacanagem de relançarem esse sorvete? Porque a gente resgata toda essa memória afetiva. E se emociona. E quase chora. E o coração fica quentinho.

Aí abre o pote. Sijoga. E descobre essa verdade oculta por tantos anos. Sorvete crocante é ruim. The end.

(a lição do dia: se relançarem leitinho de caixinha CCPL sabor caramelo, pode escrever: não comprarei)

(mentira. caramelo, gente. não tem como ser ruim.)

 

Aquilo que ninguém vê

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Ontem foi dia de cinema com a turma da escola. Eu sei que todo mundo acha furada programa com crianças e pais da escola mas só tenho a lamentar por vocês. Porque a turma da minha filha é ótima. E um chama o outro que chama um que chama mais um e no final aha uhu o cinema é nosso. Assistimos Alice. Mas aí é outro post.

Esse aqui é sobre o depois. Depois fomos comer uma pizza, tomar um chopp, conversar e tal. E sei lá porque, uma hora o papo era sobre casa, dinâmicas familiares, etc. Ah, lembrei porque. Ano que vem as crianças mudam de turno na escola, o que acaba mudando a rotina da família toda. No meu caso, um em cada turno, sempre vem a questão: e aí, como você vai fazer? E minha resposta é sempre: ano que vem penso nisso. Gente. Ano que vem tá muito longe. Se eu estiver viva e sã ano que vem já acho um ganho.

Empurrar com a barriga até não mais poder, uma arte que eu domino com maestria.

E foi ela que me trouxe até aqui. A essa encruzilhada, ou melhor, a esse beco sem saída. Sem ter pra onde correr. A única alternativa é pular o muro no final da rua. Conseguir escalar a parede, provavelmente com algumas feridas no processo. Chegar lá em cima e pular sem saber o que tem do outro lado. Ou sabendo. Mas ainda assim.

Mas o que eu queria dizer era que nesse papo eu comecei a falar um pouco da minha casa. Da rotina, da dinâmica, das tretas, do inferno que está virando. E a reação das pessoas foi: nossa, mas eu nem fazia ideia disso.

Pois é. As coisas que as pessoas não fazem ideia. Os detalhes que escondemos às vezes sem perceber. O outro lado que ninguém vê.

E ninguém faz ideia porque eu boto tudo na piadinha do COLIVING. Mas não é uma piada, né? É uma porra de uma situação limitadora e castradora que beira o absurdo e tá destruindo a vida de todo mundo.

O tanto de coisa que eu tenho PROTAGONISMO e LUGAR DE FALA pra escrever nesse blog, olha. Síndrome do pânico. Fobia social. Depressão pós-parto. Mutismo seletivo. Dependência emocional. Culpa, culpa, culpa.

Mas prefiro postar receitas de bolo porque dói menos.

 

Já comi pior pagando

Toda 3a feira eu faço um bolo. Aproveito que fico acordada mesmo vendo master chef e aí não corro o risco de dormir com o bolo no forno. Não que eu não faça bolo em outros dias também. Também não deixo de sair nem recuso compromissos por isso. “Não posso, hoje é 3a, eu TENHO que fazer um bolo”. (pensando bem, hein? talvez possa usar essa. já ouvi desculpas menos nobres.)

Então, melhor assim: toda 3a, quando dá e estou com vontade, eu faço um bolo. Daí tava feliz porque finalmente hoje ia fazer um post com foto pra aparecer lindona na Central do Textão. Pesquisei uma receita que usasse o coco fresco que eu tinha em casa. Daí cheguei nessa de “bolo de queijadinha”. Queijadinha é amor. Bolo é delícia. Bolo de queijadinha só podia ser sucesso.

Mas não foi. Nhé. (a vida da mulher do lar, amigos, ela não é FÁCIO)

Ficou ruim? Não. Comi metade sozinha? Sim. Meu filho gostou? Sim. O que deu errado então? Não ficou aquela coisa que a gente diz nossa que bolo maravilhoso meu deus posso passar a vida só comendo isso. Mas fica bom. Bem molinho, quase um pudim na parte de baixo, e uma camada de bolo em cima. Molhadinho. Tipo queijadinha mesmo. Pensando bem, até que ficou bem bom, viu? Só achei que ficou pouco doce.

foto (2)

Ah, o defeito principal: não consegui desenformar. O que acabou com os meus planos daquela foto do bolão inteiro lindo. Mas na hora de comer isso não faz diferença.

Quem quiser arriscar, é bem fácil:

3 ovos, 1 xícara de leite, 1 lata de leite condensado, 1 colher de sopa de farinha, 1 colher de sopa de manteiga, 100g de queijo ralado, 100g de coco ralado, 1 colher de sopa de fermento. Bate tudo no liquidificador. Forma untada e enfarinhada, bota no forno, vai ver master chef e no intervalo dá uma olhada, se não estiver bom espera o próximo comercial, se não estiver bom ainda, bem, vocês entenderam.

 

 

jaca gay

Aquela fase maravilhosa da infância em que a criança perde o ar de tanto rir da própria piada. Que começa com “uma mulher tinha 3 filhos: vou cagar, tô cagando e já caguei”.

#usemcamisinha

Ou não. Porque essa eu não conhecia. E é divertido, vai. 🙂 Na primeira vez.

Mas daí começa, né? “Mãe, vou falar uma palavra e você tem que completar com gado”. Cês sabem. Toucagado e tal. Bem alto no metrô. No meio da rua. Por que tá todo mundo me olhando?

– Mãe, eu falo a palavra e você repete e completa com gay.

-Tá bom. Jaca gay.

-Não vaaaaaleeeee. (snif) Não é assiiiiimmmm! (snif). Você estragooou!

Desculpa se não tenho paciência pra quem tá começando.

 

Penetra

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Cansamos de ficar lamentando que no tempo dos blogs era muito melhor e que o fb é uma droga, a gente não pode postar tudo que quer, não consegue visualizar o que quer, textos fantásticos se perdem, uma zona. Em várias conversas aqui e ali concluímos que um dos maiores motivos para estarmos lá era manter contato com o pessoal dos blogs. E a Tina teve essa ideia genial. De reunir “o pessoal dos blogs” novamente. Não precisamos de tio zucka pra isso. Somos muitos. Somos lindos. Somos mais. Blogueiros unidos jamais serão vencidos. O povo não é bobo. Ocupablog. Etc.

E surgiu a Central do Textão. Que já era uma coisa maravilhosa antes de existir. O que eu ri durante as discussões da escolha do nome, gente, vocês não fazem ideia.

E me fazer rir, nos tempos de atualmente, não é pouca coisa.

Então tô aqui, pra participar da festa.

Alguns pequenos problemas como estar sem internet em casa (problemas do COLIVING), não conseguir entender o wordpress e fazer uma página bonitinha e sequer conseguir colocar o banner com link pra Central do Textão (consegui! *lagriminhas de emoção*) não vão me deixar de fora. Se não puder entrar sem o dress code, entro de penetra, pulo o muro, faço o que for preciso. Mas esse bonde eu não vou perder.